Blog do Mistério
A freira da torre do sino
Esta história é narrada na cidade mexicana de Durango. Dizem que quando o país foi invadido por franceses, havia um convento de pedra antiga em um complexo religioso, onde soldados estrangeiros montaram acampamento.
Entre os corredores silenciosos e os vitrais que filtravam a luz do entardecer, uma freira jovem, que não escolheu o hábito de livre e espontânea vontade, se apaixonou por um soldado francês. Ele aparecia todas as noites sob a janela de sua cela, fardado e solene, esperando um olhar, um gesto, um sinal. Nunca trocaram palavras, mas os olhares diretos entre eles diziam mais do que qualquer confissão.
Os murmúrios das religiosas ecoavam pelos claustros. Quem era aquele homem que se esgueirava pela noite? Por que seus olhos azuis pareciam mirar sempre na direção da cela da jovem freira? Mas ninguém ousava intervir, pois não sabiam o que esperar daqueles homens estranhos. Mesmo as madres mais severas sentiam o peso de uma tragédia iminente. O amor é um crime em lugares consagrados ao silêncio, e o convento passou a ser cúmplice da paixão impossível.
Foi então que o exército mexicano chegou. Uma emboscada repentina varreu a cidade, capturando soldados franceses dispersos. Entre eles, estava o homem da janela, arrastado diante das muralhas do convento, onde todas assistiram, impotentes. Quando os tiros ecoaram, o corpo dele tombou na terra poeirenta, sem uma última palavra, sem um último olhar. Da janela mais alta, a freira assistiu a tudo, e seu grito mudo sufocou-se no próprio peito.
Naquela mesma noite, consumida pelo desespero, ela subiu à torre do sino. O vento chicoteava seu hábito negro, e as lágrimas corriam livres por seu rosto pálido. Sem hesitação, entregou-se ao vazio, lançando-se ao pátio de chão poeirento, onde seu amado havia caído. O convento despertou em alarde, mas quando as outras religiosas chegaram, encontraram apenas o véu da jovem preso à grade da janela, tremulando como um espectro na brisa da madrugada.
Os anos passaram, e a poeira da história cobriu os acontecimentos como um manto de esquecimento. O convento se acabou, de sua estrutura restou uma capela. Ainda hoje alguns moradores das proximidades contam que, eventualmente, uma silhueta escura se aparece na torre do sino. Dizem que é a sombra da jovem freira, ainda à espera de seu soldado, ainda prisioneira de um amor que o tempo não conseguiu apagar.
E assim, o convento de Durango tornou-se não apenas uma casa de orações, mas também de lamentos. Pois onde há fé, há mistério... e onde há amor proibido, há sempre fantasmas que se recusam a partir.
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Morte no cemitério
O título deste post vai remeter a um romance de Agatha Christie, mas infelizmente é pura realidade.