Blog do Mistério

A moça do poço: lenda urbana brasileira

06/02/2025 10:15 - por Gisele Wommer giwommer@gmail.com

Dizem que aconteceu no Brasil. Em uma noite fria e silenciosa, o policial Marcos iniciou sua ronda pelas ruas escuras de um bairro antigo, em uma cidade do interior gaúcho. Como de costume, ele seguia sua rotina, atento a qualquer movimento suspeito. Em várias ocasiões, havia notado a presença de uma jovem mulher, de beleza incomum, que sempre aparecia no mesmo trecho da rua, próxima a um terreno abandonado. Ela o chamava com um aceno tímido, mas Marcos, preso às suas obrigações, nunca cedia à curiosidade e seguia seu caminho. Algo na insistência dela, no entanto, começava a mexer com ele.

Naquela noite específica, a jovem parecia mais determinada do que nunca. Ela apareceu de repente, quase como se surgisse do nada, com os olhos brilhando à luz fraca das lamparinas a óleo dos poucos postes presentes na via. Chamou-o novamente, desta vez com urgência. Sua voz tinha um tom quase suplicante, e havia algo em sua postura que o fez hesitar. Pela primeira vez, Marcos sentiu que não podia ignorá-la. "Por favor, me siga. É importante", disse a jovem, quase implorando. Contra seu instinto e melhor julgamento, ele decidiu segui-la.

A moça o guiou pelo terreno abandonado, onde só se ouvia o som dos grilos da noite. Ela o levou até um poço antigo e abandonado, coberto por musgo e cercado por um ar de mistério. Quando chegou à beira do poço, a jovem se voltou para ele, com uma expressão que misturava gratidão e tristeza. Antes que ele pudesse perguntar qualquer coisa, ela desapareceu diante de seus olhos, como se nunca tivesse estado ali. Marcos ficou paralisado, seu coração batendo rápido, enquanto tentava compreender o que acabara de testemunhar.

Sem saber o que fazer, o policial decidiu acionar os bombeiros. Relatou o estranho evento, omitindo a parte sobre a mulher desaparecida, e disse que havia algo suspeito no poço. Quando os bombeiros chegaram, trouxeram equipamentos para descer até o fundo, enquanto Marcos permanecia inquieto à margem, com os olhos fixos no vazio. Cada segundo parecia uma eternidade, até que um dos bombeiros emergiu, pálido e visivelmente abalado.

"Aqui embaixo há um corpo", disse o bombeiro, com a voz embargada. "É de uma mulher." Marcos sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas o pior ainda estava por vir. Quando retiraram o corpo, o policial reconheceu instantaneamente a jovem que havia implorado por sua ajuda. Era ela, com os mesmos traços, o mesmo vestido, ele tinha certeza apesar do estado de decomposição do corpo.

Investigações posteriores revelaram que a mulher estava desaparecida há semanas, e ninguém sabia como ela havia parado ali. As autoridades não conseguiram encontrar explicações para sua morte ou para os eventos estranhos que levaram à descoberta do corpo. Marcos, por sua vez, evitava falar sobre o assunto. Ele sabia que ninguém acreditaria se contasse o que realmente havia acontecido naquela noite.

Desde então, o poço foi lacrado, e o terreno permanece vazio. Os moradores da região, no entanto, dizem que, em noites especialmente quietas, ainda podem ouvir um sussurro vindo daquela direção, como se uma voz suplicante chamasse por ajuda, esperando que alguém ouça e finalmente lhe traga paz.

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