REVIRAVOLTA
Bala volta atrás e vai recorrer no decreto da seca
Prefeito terá reunião com a Defesa Civil
O prefeito Leandro Balardin fez muito barulho nas redes sociais contra o Jornal do Povo, carimbou de fake news a notícia de que o governo abriu mão de receber os recursos da Defesa Civil e fez um discurso agressivo contra o jornal na Rádio GVC.fm, mas voltou atrás e vai recorrer ao governo estadual atrás de ajuda para Cachoeira do Sul em virtude da estiagem, para fazer valer o seu decreto de emergência que foi rejeitado pelo Estado. A decisão é uma reviravolta no entendimento expressado pelo governo até então, de que a crise gerada pela seca não teria sido suficiente para classificar a cidade em nível dois de desastre, quando se pode solicitar ajuda do Estado e da União, em virtude dos prejuízos.
Em pedido de direito de resposta enviado ao Jornal do Povo sobre a reportagem “Bala não pedirá ajuda para seca”, publicada na última quinta-feira, o prefeito contesta a notícia e constrói uma narrativa para amenizar a repercussão negativa que ela provocou. Para o prefeito, a matéria “traz a conotação de que estamos nos negando a pedir ajuda!”. Balardin diz ainda que o Jornal do Povo “desconsidera que, embasado com grupos técnicos, pareceres e laudos, publicamos o decreto de emergência para exatamente fazer o contrário”.
Apesar de tentar rotular nas suas redes sociais a notícia do JP como falsa, com um carimbo de fake news ao lado de uma foto da matéria, em nenhum trecho do direito de resposta o prefeito aponta alguma desinformação cometida pela reportagem. A notícia foi baseada em uma nota produzida pela própria assessoria do prefeito, redigida pelo seu chefe de gabinete, além de análise da legislação pertinente a desastres e coleta de informações com profissionais ligados à Defesa Civil.
A matéria elenca, inclusive, dados dos laudos recebidos pela Prefeitura e citados na nota que foram decisivos para embasar o decreto, como levantamentos da Emater do prejuízo estimado de R$ 151 milhões na produção rural, em virtude da falta de chuvas. A nota enviada pelo governo e na qual a reportagem se baseou diz: “No entendimento da Defesa Civil do Município, em articulação com demais órgãos municipais, (o episódio) não condiz com um desastre de nível dois”. Desastres de nível dois são aqueles em que pode ser requisitada ajuda estadual e federal.
BALARDIN FOI OUVIDO
No pedido de direito de resposta, Balardin afirma ainda não ter sido ouvido para a produção da reportagem, o que voltou a reclamar também na Rádio GVC, em participação no programa Redação na manhã desta sexta-feira. No entanto, na terça-feira, na sala de títulos honoríficos da Câmara, por volta das 14h55min, onde acompanharia a audiência pública com a RGE, o prefeito foi questionado sobre o decreto da seca pelo repórter.
Naquela oportunidade, ele afirmou, inclusive diante do consultor da RGE Eduardo Döring, que os índices de prejuízo não eram suficientes para que a cidade pudesse receber ajuda e informou que seria disponibilizada uma nota pela sua assessoria, que foi encaminhada às 17h17min daquele dia.
IMPORTANTE
O prefeito Leandro Balardin, no pedido de direito de resposta, afirma ainda que o subtítulo da reportagem sobre o decreto da seca “traz outra inverdade”, ao mencionar que “no entendimento da gestão, prejuízos não foram significativos, amenizados pela chuva”. Segundo reafirma, o nível de desastre em um decreto de situação de emergência não é uma decisão do prefeito, mas precisa ser comprovado por laudos técnicos. A reportagem demonstrou ao longo do texto que o governo usou uma série de justificativas, baseadas nos laudos que recebeu, para mostrar que a situação em Cachoeira não seria suficiente para que o decreto fosse classificado em nível dois.
ATENÇÃO
O procurador do Município, Bruno Müller, informou nesta sexta-feira que o decreto de Cachoeira “foi embasado nas informações técnicas fornecidas pelos laudos. O Governo Balardin está em contato direto com a Defesa Civil do Estado, inclusive com reunião agendada para segunda-feira, para fazer uma avaliação dos prejuízos relatados”. Questionado se a Prefeitura recorreria, como afirmado pelo prefeito em entrevista à rádio, para tentar evoluir o decreto ao nível dois de desastre, para tentar a ajuda, Bruno respondeu: “Vamos atualizar os laudos e se os laudos apontarem isso, melhor. Não inventamos dados”, concluiu.
PARA ENTENDER MELHOR
A cronologia da crise do decreto da seca
13 DE FEVEREIRO
Prefeito assina o decreto de emergência pela estiagem após se reunir com entidades e avaliar prejuízos da seca e encaminha o documento para ser homologado pelo Estado.
24 DE MARÇO
Vereadora Mariana Carlos (PT) torna público que o decreto da seca foi devolvido para ajustes pelo governo estadual e demonstra preocupação com a possível rejeição do decreto, o que negaria ajuda à Prefeitura.
25 DE MARÇO
Reportagem questiona o prefeito sobre decreto da seca devolvido pelo Estado. Prefeitura emite nota à imprensa com o título “Decreto de emergência tem alcance municipal”. No final da nota, que tem uma série de informações sobre os laudos recebidos pela cidade em virtude da seca, a conclusão foi a seguinte:
“Considerando que o poder público municipal não teve nem uma instituição afetada e que todos os serviços mantiveram o seu funcionamento normal, em zona urbana e rural; Considerando que nem um munícipe teve seu abastecimento de água interrompido e que a SMDR (Secretaria de Desenvolvimento Rural) consegue manter o abastecimento de água do interior, acrescentando apenas 20 famílias além das 69 que normalmente atende em sua rotina de trabalho; Considerando o volume de chuva de 332mm, entre novembro e fevereiro, sendo que o normal para este período é de 463mm, ou seja, 131mm a menos que o normal, no entendimento da Defesa Civil do Município, em articulação com demais órgãos municipais, não condiz com um desastre de nível 2”. Isso significa que a cidade não poderia receber ajuda estadual ou da União, e deixou subentendido que o governo não insistiria ou recorreria para buscar recursos, entendendo que os prejuízos foram insuficientes para ir atrás dos recursos.
27 DE MARÇO
Jornal do Povo publica reportagem afirmando que o governo não iria contestar a rejeição do decreto de emergência e o prefeito, alarmado com a repercussão negativa, classificou a notícia como fake news em suas redes sociais.
28 DE MARÇO
Prefeito afirmou que irá recorrer do decreto em entrevista à Rádio GVC.fm e por meio de nota acrescentou: “Se decretamos emergência, era e é com o intuito de pedir ajuda. Pedimos ajudas e vamos seguir pedindo ajudas, mas rigorosamente dentro do amparo legal e técnico”, frisou.
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