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Capitão América – Admirável Mundo Novo: em busca do caminho perdido
O Universo Cinematográfico da Marvel (UCM) vive um momento de transição. Após anos de domínio absoluto nas bilheterias, os sinais de esgotamento são evidentes: o público parece cansado da fórmula repetitiva, e até os fãs mais fiéis já não demonstram o mesmo entusiasmo de outrora. É nesse contexto que Capitão América: Admirável Mundo Novo chega às telas, tentando renovar o interesse com um novo protagonista (Anthony Mackie) e a presença de um astro como Harrison Ford. No entanto, o filme acaba sendo mais um exemplo dos desafios que o UCM enfrenta para se reinventar.
Além de conexões com O Incrível Hulk, de 2008, o longa dá continuidade à série Falcão e o Soldado Invernal, com Sam Wilson assumindo o manto de Capitão América. A trama se passa em um cenário político complexo, com Thaddeus Ross (Harrison Ford, em substituição ao falecido William Hurt, que interpretou o personagem em filmes anteriores) como presidente dos EUA. No entanto, o roteiro tenta abraçar demais. Além da trama principal, há subtramas políticas, conflitos pessoais e referências a eventos globais. Tudo isso é entregue em um ritmo acelerado, com diálogos que mais explicam do que desenvolvem os personagens. O resultado é uma narrativa confusa, que deixa o espectador sem tempo para se conectar emocionalmente com a história.
Anthony Mackie entrega uma performance sólida como Sam Wilson, mas parece limitado pelo roteiro que não explora plenamente seu potencial como o novo Capitão América. Já Harrison Ford, apesar de sua presença icônica, parece deslocado no papel de Thaddeus Ross. Sua atuação é competente, mas falta química com o restante do elenco.
As cenas de ação, embora bem coreografadas, carecem de impacto. Elas seguem o padrão Marvel: bem executadas, mas previsíveis. Nada aqui se compara aos momentos épicos de Capitão América: Guerra Civil ou Vingadores: Ultimato. É como se o filme cumprisse uma obrigação, sem ousar inovar ou surpreender.
Em síntese, Capitão América: Admirável Mundo Novo é um filme que tenta equilibrar o legado do passado com a promessa de um novo começo, mas acaba falhando em ambos os aspectos. Apesar de alguns momentos de diversão e um elenco talentoso, o longa sofre com um roteiro confuso, ritmo acelerado e falta de ousadia. Em um momento em que o UCM precisa se reinventar, este filme acaba sendo mais um sintoma do esgotamento do que uma solução. Fica a sensação de que, talvez, seja hora de a Marvel repensar sua fórmula antes que o público perca de vez o interesse.
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