Blog dos Espíritos
Exercitando a fé e a gratidão
Virtudes necessárias
Na Doutrina Espírita, a fé e a gratidão são virtudes fundamentais para o progresso espiritual do ser humano. Allan Kardec, codificador do Espiritismo, apresenta em todas as obras básicas da doutrina a importância de cultivar as qualidades, não apenas como práticas religiosas, mas como atitudes essenciais para a elevação moral e para a construção de uma vida mais harmoniosa e equilibrada. A fé e a gratidão, em seu conceito mais profundo, estão diretamente ligadas à compreensão das leis espirituais e à vivência dos ensinamentos de Jesus Cristo.
A fé na Doutrina Espírita
A fé, conforme apresentada por Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos”, é definida como a crença em algo sem provas materiais, mas que se fundamenta no conhecimento e na razão. Para os espíritas, a verdadeira fé não é cega ou irracional, mas uma confiança sólida nas leis divinas que regem o universo. Kardec explica que a fé espírita se baseia na observação dos fenômenos espirituais, na lógica dos ensinamentos transmitidos pelos espíritos superiores e na compreensão de que a vida continua após a morte, em um processo contínuo de aprendizado e evolução.
No entanto, a fé espírita não se restringe à crença em um mundo invisível ou nas explicações dadas pelos Espíritos, mas se estende à fé na capacidade do ser humano de se transformar, de evoluir espiritualmente. A fé verdadeira, portanto, é aquela que leva à prática da caridade, à transformação moral e à confiança na providência divina. Como Kardec coloca em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, a fé sem obras é morta; ou seja, a verdadeira fé se reflete nas ações do indivíduo, na sua busca por melhorar-se constantemente.
A gratidão na Doutrina Espírita
A gratidão, por sua vez, é um sentimento que nasce do reconhecimento das bênçãos que recebemos e da compreensão das oportunidades que a vida nos oferece para o nosso aprimoramento espiritual. Para o Espiritismo, a gratidão vai além do agradecimento pelas coisas materiais ou pelas circunstâncias favoráveis da vida; ela é uma postura de reconhecimento perante as oportunidades de aprendizado e crescimento que nos surgem, seja nas alegrias ou nas dificuldades.
Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Kardec nos ensina que a gratidão é uma das expressões mais elevadas do coração humano. Gratidão é reconhecer que todas as situações, sejam elas agradáveis ou desafiadoras, têm um propósito em nosso processo de evolução. Mesmo nas provas mais difíceis, quando passamos por perdas ou sofrimentos, a gratidão nos permite enxergar que essas experiências são necessárias para o nosso aprendizado e, muitas vezes, para o resgate de débitos de existências anteriores.
Essa virtude também está ligada ao amor e à caridade. Ao ser grato, o ser humano se eleva espiritualmente, porque a gratidão está intimamente associada ao reconhecimento da bondade divina em todos os aspectos da vida, mesmo quando os resultados imediatos não são os que desejamos. O espírita é ensinado a ver cada dificuldade como uma oportunidade de crescimento e, portanto, deve ser grato até mesmo pelas provas que lhe são impostas, compreendendo que elas são instrumentos de sua evolução.
Fé e gratidão no dia a dia
Juntas, a fé e a gratidão formam uma base sólida para a prática espírita no cotidiano. A fé nos permite ter confiança em nosso caminho espiritual, mesmo diante das dificuldades da vida, e a gratidão nos mantém em sintonia com o plano divino, ajudando-nos a manter uma visão positiva e construtiva, mesmo nas adversidades. Em “O Livro dos Espíritos”, Kardec nos ensina que o sofrimento tem um propósito pedagógico, e a fé nos ensina a suportá-lo com resignação e paciência. Já a gratidão, ao ser cultivada, nos ajuda a dar valor às pequenas e grandes bênçãos da vida, reconhecendo que cada momento tem algo a nos ensinar. Isso faz com que, mesmo diante das provações, o espírita mantenha a confiança em Deus e o desejo sincero de aprender com cada situação.
Em tudo dai graças...
Como nos ensina Emmanuel, “a dor é um constante convite da vida, a fim de que aceitemos uma entrevista com Deus”. Assim, o Espiritismo nos convida a viver com fé e gratidão. A fé nos conduz à confiança nas leis divinas, ao entendimento de que estamos sempre em processo de evolução e que a vida é uma oportunidade contínua de crescimento. A gratidão, por sua vez, nos mantém conectados ao bem, nos ajuda a reconhecer a providência divina em cada momento e nos inspira a viver com mais harmonia e amor. Juntas, essas virtudes formam o alicerce para uma vida de paz interior, equilíbrio e progresso espiritual, que é o verdadeiro objetivo da jornada humana segundo os ensinamentos de Allan Kardec.
A Doutrina Espírita nos ensina a ser gratos, pois a reencarnação, um ato de amor, é uma oportunidade que Deus nos oferece de recomeçar e, portanto, devemos agradecer esse retorno à existência terrena e suas infinitas possibilidades de nos reconstruir e crescer. Os encontros, os supostos desencontros e também os reencontros são oportunidades que se nos apresentam para a nossa reforma íntima, evolução e, portanto, mudanças em busca da sonhada felicidade, paz e equilíbrio. Não nos esqueçamos do que nos ensina Paulo: “Em tudo dai graças”.
KARDEC, Allan. “O Livro dos Espíritos”; “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
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