Blog do Cinema

Minecraft – O Filme: Uma aventura caótica

03/04/2025 10:03 - por Jorge Ghiorzi jghiorzi@gmail.com

A primeira regra para assistir a “Minecraft: O Filme” é simples: esqueça o jogo. Não espere uma adaptação fiel de blocos pixelados ou mecânicas de sobrevivência. Aqui, a franquia vira uma comédia-fantasia despretensiosa, onde o humor escrachado de Jack Black e Jason Momoa rouba a cena — para o bem e, às vezes, para o mal.

Henry, um adolescente criativo e deslocado, acidentalmente se transporta para um universo inspirado em Minecraft, onde conhece dois aliados improváveis: Garrett (Jason Momoa), um ex-campeão de e-sports agora falido e dono de uma loja de quinquilharias geek, e Steve (Jack Black), um desajustado que acredita ser o "herói escolhido" — mas só sabe dar conselhos catastróficos e cantar em momentos inapropriados.

Enquanto isso, sua vizinha Natalie (Jennifer Coolidge) se envolve com Dawn (Danielle Brooks), uma agente imobiliária que, por um acaso do roteiro, vira cuidadora de criaturas fantásticas. Juntos, o grupo enfrenta vilões com a profundidade de um tutorial e desafios absurdos.

Jack Black e Jennifer Coolidge são os motores cômicos do filme, entregando performances tão energéticas quanto vazias. Black, como sempre, faz o que sabe de cor: o caótico carismático (vide “Jumanji” e “Super Mario”). Você ainda tem paciência para Jack Black? Cansado de ver Jack Black em filmes de videogame? Não desanime. Tenha paciência com o rapaz. Afinal, ele ainda tem crédito, e vem aí no novo filme da franquia “Anaconda”, ao lado de Selton Mello. A atriz Jennifer Coolidge, sua companheira de elenco, por sua vez, rouba cenas com seu timing afiado, mas seu personagem é mera desculpa para piadas. E Jason Momoa, este sim é uma surpresa positiva, um ponto de equilíbrio, carregando o filme inteiro nos músculos e no carisma

O filme pega emprestado conceitos do jogo Minecraft (como construção livre e criaturas icônicas), mas os transforma em pano de fundo para uma aventura um tanto genérica. Fãs do jogo podem reconhecer pequenos segredos escondidos (os easter eggs), mas a experiência cinematográfica não replica a liberdade ou a inventividade original do jogo. A autoconsciência do roteiro, que zomba do próprio absurdo, ajuda a justificar o caos, mas também revela a falta de ambição.

“Minecraft: O Filme” é tão desajustado quanto seu protagonista. Tem piadas que funcionam (e muitas que não), um elenco que claramente se diverte mais que o público, e uma narrativa que oscila entre "engraçado sem querer" e o "idiota de propósito". É fraco como adaptação, mas aceitável como passatempo — desde que você desligue o cérebro junto com o console.

Encontrou algum erro? Informe aqui

Faça seu login para comentar!